precisamos-falar-sobre-kevin
Leituras,  Livros,  Resenhas

Precisamos falar o sobre Kevin

Você já viu essa capa na livraria (física ou on-line) ou em alguma timeline do instagram e pensou: “MEU DEUS, QUE BIZARRO”? Pois é, esse é um daqueles livros que você não faz ideia do que vem pela frente. A sinopse não te entrega muita coisa e na época em que o li pela primeira vez, resenhas de livros não existiam, era LER E BOCA A BOCA mesmo, hehe. Mas, confesso que a primeira coisa me atraiu nesse livro de primeiro momento, definitivamente foi a capa.

Sinopse:

Aos 15 anos, o personagem Kevin mata 11 pessoas, entre colegas no colégio e familiares. Enquanto ele cumpre pena, a mãe Eva amarga a monstruosidade do filho. Entre culpa e solidão, ela apenas sobrevive. A vida normal se esvai no escândalo, no pagamento dos advogados, nos olhares sociais tortos.

Transposto o primeiro estágio da perplexidade, um ano e oito meses depois, ela dá início a uma correspondência com o marido, único interlocutor capaz de entender a tragédia, apesar de ausente.

Cada carta é uma ode e uma desconstrução do amor. Não sobra uma só emoção inaudita no relato da mulher de ascendência armênia, até então uma bem-sucedida autora de guias de viagem.

Cada interstício do histórico familiar é flagrado: o casal se apaixona; ele quer filhos, ela não. Kevin é um menino entediado e cruel empenhado em aterrorizar babás e vizinhos.

Eva tenta cumprir mecanicamente os ritos maternos, até que nasce uma filha realmente querida. A essa altura, as relações familiares já estão viciadas.

Contudo, é à mãe que resta a tarefa de visitar o “sociopata inatingível” que ela gerou, numa casa de correção para menores. Orgulhoso da fama de bandido notório, ele não a recebe bem de início, mas ela insiste nos encontros quinzenais.

A história:

Esse é sem dúvida um dos meus livros favoritos, a escritora tem um método de escrita muito dinâmico e imersivo, nós conseguimos nos colocar em cada situação de conflito e sofrimento de todos os personagens.

A nossa personagem principal e mãe do Kevin, Eva, tem uma carreira de sucesso no mundo do turismo, casada e feliz, começa o tal conflito entre um querer um filho e o outro não, no caso, ela.

Ela não tem vontade alguma de ser mãe, não sente aquela maternidade aflorada e por tanto, reluta bastante contra essa concretização.

Kevin nasce um menino saudável e bonito, mas não desperta o amor na própria progenitora, e daí adiante tudo se torna mais difícil, ela rancorosa, o filho, mal amado.

Culpa de quem:

O livro não te aponta um culpado, mesmo com a frieza da mãe ele não te diz se o comportamento a longo prazo do filho provém desse desprezo desde a gestação, ou se algo já nasce conosco, e desperta em algum momento de enorme irracionalidade.

Vale ressaltar que o pai sempre foi amoroso e cuidadoso. Há situações em que ambos se testam, ele demonstra irritabilidade desde muito bebê, ela encara como um afronta. Há um momento no livro em que ela joga ele com força no móvel, ao trocar a fralda, e ele quebra o braço, ainda bem pequeno.

Mas, durante a narrativa deste acontecimento, ela diz que ele estava pirraçando enquanto trocava a fralda dele de tal forma que ela percebia desaforo do filho durante o ato, e já num momento fragilizada, irritada, arrependida, ela o joga com muita força.

Anos depois, ela tem uma menina, pela qual é apaixonada. E nos pegamos a pensar, ninguém deve ser forçada a nada que não queira, maternidade é bonito mas não é um mar de rosas, provavelmente quando ela teve a filha, aí sim, foi o momento em que ela se sentiu pronta para gerar uma vida.

O Kevin começa a ter atitudes mais agressivas, direcionadas principalmente a irmã, e é onde começamos a sentir que algo não vai se desenrolar muito bem.

Ele faz inclusive a irmã perder um olho com um produto de limpeza, diabo verde ou algo assim, se não me engano. Ele demonstra odiá-la completamente.

Aí nos pegamos a pensar novamente, todo esse ódio direcionado é inveja por não ter tido o mesmo, ou já nascemos com alguma predisposição a algo, só basta ligar um botão?

O ataque:

E claramente que não o apoiamos em momento algum, principalmente quando ele começa a planejar o ataque na escola, mas é aquilo que eu já comentei, começamos a nos questionar até onde isso nasceu com ele ou não.

Enfim, após o atentado na escola, o Kevin vai preso no centro de correção para menores, a vida da mãe desmorona por completo, carreira, marido, vida.

Kevin inicialmente recebe a mãe com muito desgosto nas visitas ao centro de correção, mas depois passa a recebe-la com menos rancor, até que próximo ao seu novo julgamento, em vista que ele vai completar 18 anos, ele confessa estar assustado e com medo, e é AÍ que a autora vai te pegar de jeito, LEIA e vamos ver até onde a nossa compreensão humana vai!

Minha opinião:

O final é absurdamente trágico, não vou aqui dar qualquer spoiler, mas digo que essa leitura muitas vezes nos faz pensar em como negligenciamos muitas vezes sem perceber.

É dolorosa a rejeição, eu a julguei em alguns momentos, me senti conflituosa, ao mesmo tempo compreendendo a pressão que ela passou para ter o Kevin mas no mesmo instante pensando que não deveria ter cedido e deveria não ter tido o filho na hora em que ela cogitava errada.

Assim como é doloroso vê-lo sofrer, pois mesmo não externando, a gente absorve os sentimentos do filho não quisto.

Lembrando que o livro é feito em formato de cartas, então ela as escreve para o marido e nunca as envia, por um propósito, que você vai descobrir ao final. É realmente um livro incrível, uma temática absurdamente pesada mas incrível.

Lionel Shriver:

Criada numa família extremamente religiosa, Lionel Shriver já havia publicado seis romances antes do best-seller Precisamos falar sobre o Kevin. Este, que foi recusado por trinta editoras, rendeu-lhe o Prêmio Orange, na Grã-Bretanha, em 2005, concedido apenas a escritoras.

Colunista do jornal The Guardian, ela também já colaborou para The Wall Street JournalThe Independent The Economist. Viveu em Nairóbi e Bangcoc, mudando-se depois para o Reino Unido. Passou doze anos em Belfast, na Irlanda do Norte, e oito em Londres, onde mora.

Se interessou? Tem link direto pra Amazon, é só clicar! Ou Submarino, é só clicar.

Comenta aqui ou lá nas redes sociais, vamos papear sobre esse livro maravilhoso.

Um comentário

  • Liv

    Mana, que livro complexo! Eu confesso que a capa foi uma coisa que me estranhou mas que me deu também vontade de ler. Eu comprei o ebook ano passado e tá meio estacionado aqui ainda, mas vou esperar um momento mais legal, alegre, sem quarentena pra ler ele, pois o negócio vai ser pesado. Amei a resenha!
    Abraço,
    Liv | Resenhas Caóticas | A Odisseia | Instagram

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *